Dita Von Teese é vista, nos dias de hoje, como um dos maiores expoentes do que é ser sensual no ocidente. Nascida Heather Renée Sweet, em 28 de setembro de 1972, em Rochester (Michigan, nos Estados Unidos), ela é uma das responsáveis pela divulgação do gênero burlesco na atualidade.Justamente sobre esta arte é que a atriz escreveu / produziu o livro Burlesque and the Art of Teese/Fetish and the Art of Teese.
Mas antes de entrar, propriamente, no livro, por assim dizer, é melhor entender o que exatamente é essa coisa de ‘Burlesco’, não?
Burlesco é, na verdade, uma palavra que se refere a um gênero teatral datado do século XVII, da Itália. O termo teve origem, possivelmente, na palavra ‘burla’, que vem da Língua Espanhola, e quer dizer, farsa, sátira, piada exagerada que tende ao grotesco. A apresentação burlesca ou a arte do burlesco encena uma paródia ou uma sátira, uma comédia de costumes da mesma época da Commedia dell’arte, nas quais as histórias têm um forte caráter sexual, que, contudo, não pode ser expresso de maneira aberta – e por isso, normalmente, a nudez era contraposta com artifícios cênicos que a escondessem, ou a roupa era tirada aos poucos, surgindo o que mais tarde seria conhecido como striptease.
Já no século XVIII, esse tipo de teatro começou a ganhar a forma que conhecemos hoje em dia: havia elementos sérios e cômicos, justapostos com a intenção de criar o absurdo, o fantástico, o grotesco, com forte presença de música e dança, encenando, geralmente, uma ópera romântica ou uma obra clássica adaptada para tanto, com um estilo de interpretação mais exagerado. Com o tempo, as apresentações foram ganhando novas formas e havia ‘shows’ de dança burlesca ou apresentações pocket em halls de teatro antes da ópera e cabarés. Era um estilo que atingia do mais pobre ao mais rico dos homens e por isso, tão popular.
No século XX é que as atrações de striptease se tornaram o carro chefe destes shows no norte da América – embora o striptease tenha se originado na última década do século XIX com o Moulin Rouge, a associação entre o estilo e o striptease foi feita na América mesmo. Nesse contexto, mais associado à sensualidade, surgiram inúmeras grandes estrelas como a maravilhosa Bettie Paige, nas quais Dita se inspirou não só para seus trabalhos, mas para escrever Burlesque and the Art of Teese/Fetish and the Art of Teese.
A partir disso, ela resgatou o estilo de ser pin-up e protagonizou espetáculos de tirar o fôlego, inclusive com as Pussycat Dolls, como pode ser visto no vídeo abaixo:
Desde criança Dita sempre gostou dos musicais da MGM. Essa obsessão fez com que ela entrasse em aulas de interpretação e dança, com o apoio de seus pais – inclusive a quem ela dedica este livro. Aos 16 anos, ela trabalhava numa loja de roupas ao que percebeu sua paixão pela lingerie feminina e o poder que esta exerce no imaginário humano – a força que dá à mulher e o fascínio sem limites que exerce sobre os homens (e mulheres, claro). Esse sentimento norteou suas atividades até hoje e é o que faz com que esse livro seja tão fantástico.
O livro já surpreende por não ter contra-capa. Ele tem DUAS capas! A parte da frente (ou seria a de trás?) vem com o título Burlesque and the Art of the Teese, com uma belíssima capa leve verde-claro e Dita em roupas cor-de-rosa no melhor estilo dos cabarés de alto luxo das décadas de 1920 e 1930. Daí em diante são 131 páginas que narram curiosidades sobre o estilo, dicas da própria Dita e ensaios de tirar o fôlego, capazes de fazer a imaginação ir longe, no tempo, no espaço e nas sensações.
Inverte-se o livro e você vê outra capa: Fetish and the Art of the Teese, com um estilo mais sombrio, tons de cinza e a imagem do corpo semi-nu da atriz, de olhos vendados, com uma capa recobrindo-lhe os ombros e, precisamente, os mamilos. Ela aparece com chicotes e luvas de couro logo nas primeiras páginas, vestidos justíssimos e saltos-altos quase impossíveis de calçar; amarrada em lingeries sensuais, com o corpo pintado em cores metálicas, indo de Anjo a Demônio, de Dominatrix a Escrava.
E aí o leitor desavisado há de se perguntar “Mas o que isso tem de novo? Com certeza uma tonelada de filmes eróticos já faz isso!”
A diferença é que a Dita resgata as rédeas da sensualidade da insinuação, o erotismo de mostrar-se mulher e assumir o fetiche e a fantasia, não só nas situações de âmbito sexual, pois há certos parâmetros utilizados por ela que podem servir para o dia-a-dia de qualquer mulher. Até no das nerds!
Para conhecer melhor o livro e comprá-lo, visite os links:
Amazon.com
Livraria Cultura
Boa Leitura, povo!
Janaína Corral
2 comentários:
www.ladyburly.com - Dança burlesca em SP
E para quem quiser ver ao vivo…neste sábado 18/06/11 vai ter a pré-estreia do Projeto The Burlesque Takeover com as dançarinas Sweetie Bird e Demoiselle Mimi Mi no Caos Bar na Rua Augusta.
http://spcultural.com/node/6287
A primeira edição do The Burlesque Takeover será realizada na festa Cirque du Container, do Container Music and Arts, em São Paulo - SP, no dia 15 de julho.
Mais infos aqui: http://www.facebook.com/pages/The-Burlesque-Takeover/165042620224613?sk=info
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