É DOS CAFAJESTES QUE ELAS GOSTAM MAIS?
Caras(os)
leitoras(es) do Azul Calcinha, fiz este texto para o meu site
(marvel616.com) e, por isso, falo principalmente de personagens da
Marvel nele, mas a análise vale pra outros universos fictícios
também. Como a maioria dos leitores de lá é masculina, achei que
seria legal, quando a Germana me pediu um texto, publicá-lo aqui
também. Aqui mais mulheres como eu poderiam ler e dar sua opinião.
Espero que gostem!
![]() |
| Hum... Nerd ou cafa? |
Me
corrijam se eu estiver errada, mas a fascinação masculina com
personagens do sexo oposto nos quadrinhos é bem mais superficial que
a feminina. Mesmo que não seja apenas o apelo visual e o lado
sensual da coisa, o máximo que os homens devem fazer é pensar
“personagem tal é interessante”, “eu poderia me apaixonar por
alguém assim” ou “Pena que ela não existe na vida real”.
Mulheres não. Válido pra extrapolações em outros assuntos,
mulheres imaginam, suspiram, divagam... elas realmente se apaixonam
por personagens fictícios (sejam de HQs, fimes, livros...) na medida
que isso é possível (e saudável, esperamos). Porém, existe um
certo padrão que observo: elas tendem a gostar dos mais
“cafajestes”. Porque será?
Muitas
“meninas” alegam que gostariam de namorar um nerd que as
compreendesse e gostasse das mesmas coisas. E sim, elas querem isso
para um relacionamento. Então porque elas não suspiram por Reed
Richards, Hanry MacCoys, Hank Pyms, Scott Summers? Ok, existem as
poucas que são atraídas por Ciclope, mas estou falando da
“maioria”. Talvez no limite entre bom moço, mas que já
possuindo um “quê” de desconhecido e interessante, estejam Peter
Parker e Steve Rogers, mas você já viu alguma adolescente com uma
figurinha do Capitão América na agenda? Não, elas suspiram por
Wolverines, Gambits, Gaviões Arqueiros e, no meu caso, Tony Starks.
Que, aliás, mesmo que eu não conheça mais ninguém que partilhe
minha opinião, outras mulheres devem gostar ou não teriam tantas
histórias do personagem no estilo mais “novelinha” com enredos e
complicações amorosas. No filme X-Men, Jean Grey já diz uma boa
frase pra começarmos: “Women flert with danger, but they marry the
good guys", ou seja, que as mulheres flertam com o perigo, mas
casam com os bons moços. E sim, isso acontece muito. Mas por quê?
![]() |
| Tony Stark |
Acho
que isso vale pra qualquer “fascinação” feminina com
personagens, não só nas HQs. Um dos primeiros motivos que sempre
pensei é que, mesmo que inconsciente, a mulher tem a fantasia de que
o homem vai mudar por ela. Ora, quanto disso não vemos isso na vida
real? Mudança é prova de amor na cabeça de algumas pessoas, o que
leva puramente a frustração, mas não é meu ponto. Como esperar
isso na vida real não é nada saudável e nem verdadeiro, podemos
estar transferindo essa ideia para os personagens fictícios. O cara
pode ser o maior pilantra, o maior cafajeste, o maior galinha, mas
POR ELA, ele mudará. E não são assim as histórias ditas
românticas muitas vezes? Talvez seja por isso que exista essa ideia
meio que infeliz na cabeça feminina. Parece que se o cara muda algo
tão drástico na sua personalidade, é óbvio que ama a mocinha.
Caso clássico do casal preferido das adolescentes: Gambit e Vampira
que eu citei a cima. Gavião Arqueiro pode cantar outras, mas quando
o assunto é Harpia, ele daria a própria vida. Tony Stark pode sair
com quantas modelos quiser, mas não pode negar pra si mesmo que seu
amor é Pepper Pots. Wolverine já teve muitos “verdadeiros amores”
pelos quais renunciaria as noitadas, mas ele pode porque viveu anos e
anos por aí a mais que os outros.
Já os do outro
extremo não, eles sempre batalharam pelo amor verdadeiro e muitas
vezes tomaram “pé na bunda”. Scott Summers penou com Jean e seus
clones. Hank Pym ama Janet a ponto de querer reconstruí-la em um
robô. Reed é visto como um bom marido que sempre amou Sue (ou pelo
menos na maioria do tempo). Peter Parker teve suas escapadas e
algumas namoradas a mais, mas Gwen e MJ são inquestionavelmente
insuperáveis. E, por mais que Steve Rogers tenha umas idas e vindas
por aí, ele nunca saiu nem da mesma árvore genealógica em matéria
de grande amor.
| Constantine... outro cafa bem pegável! |
Ok, isso também tem
bastante a ver com o grau de autoestima que a pessoa tem e, quanto
mais baixa a autoestima, maior a tendência a precisar deste tipo de
aprovação. Porém, tem que ter mais aí, não? Se não, a fantasia
não perdurava. Acho que este é o ponto inicial, que está no
subconsciente dando início a esta ideia, mas porque ela perdura? E
porque é só com personagens? Bom, nem sempre, muitas procuram o
mesmo tipo na vida real, mas vão provavelmente descobrir na maioria
das vezes que era mesmo uma ilusão. E que mudança não é sinônimo
de amor. Então, a vida real não é lugar pra isso, deixemos na
ficção.
Vamos
voltar a frase do filme X-Men: “Women flert with danger, but they
marry the good guys". Primeiro, porque flertar com algo e
querer outro depois? Porque o flerte é só o que intriga e atrai,
não necessariamente o que é desejado de fato na maioria do tempo.
Este conceito não deve ser alheio à realidade masculina também que
deve, muitas vezes, se interessar por um tipo de mulher com o qual
não teria um relacionamento. E isso não significa traição,
deslealdade ou nada do tipo. Em ambos os sexos são apenas movimentos
naturais da psique que não excluem o verdadeiro sentimento quando se
procura (ou se acha) alguém para namorar, casar, juntar, etc. Alguns
ainda têm a sorte de encontrar pessoas que atiçam muitos de seus
interesses do flerte, mas que em sua totalidade é aquela pessoa com
quem “casariam” (se seguirmos a frase).
![]() |
| Ah, o Wolverine de Hugh Jackman... |
Passada esta
explicação, levando em conta que nenhuma mulher sã irá casar ou
ter de fato um relacionamento com seu personagem fictício favorito,
podem afirmar que esse deslumbre com personagens está na categoria
do flerte, do atraente e interessante. E, portanto, no “perigoso”,
no “excitante”, no diferente. É ficção, é a imaginação dela
e ela não precisa pensar como seria acordar toda manhã ao lado
daquele homem, ou se ele teria filhos, ou se ele tem um emprego
razoável, o que ele pensa sobre casamento, ou qualquer outra
preocupação que ela possa ter com alguém com quem pretenderia ter
algo duradouro. Mas, felizmente, o mundo real é bem mais complexo e
as pessoas não se moldam conforme queremos. Os homens reais tem uma
personalidade tão complexa quanto a nossa (ok, nem tanto) e a parte
legal é aprender a viver com tudo isso e não moldar ao nosso gosto.
Na vida real, poucas mulheres talvez suportassem um relacionamento
com seus personagens fictícios.
Então, não temam
meninos, quando ela suspirar pelo Hugh Jackman (e eu não conheço
uma que discorde de mim nessa!), ela sabe muito bem que é muito mais
divertido entender porque você tem determinada mania, de aprender a
lidar com a suas diferenças, de conhecer o que você pensa sobre
coisas da vida e de saber que uma pessoa que pensa por si só gosta
tanto dela. E se vocês, meninas, ainda vivem na ilusão de achar que
o fictício é melhor... experimentem o outro lado! Também posso
estar entendendo tudo errado, só me baseio em mim e nas pessoas que
conheci ao longo desses anos. Se você não concorda ou tem uma
experiência diferente, me conte sua opinião!
Cammy


