segunda-feira, 5 de março de 2012

Beginners e o começo do fim da solidão

Por Camila Carreirinha Suzuki 
(a calçola com elástico solto da gaveta Azul :P)


O Oscar de ator coadjuvante para o veterano Christopher Plummer chamou atenção para uma bela comédia romântica deliciosamente despretensiosa, Beginners (2010). Ewan McGregor é Oliver Fields, um melancólico e reservado ilustrador de 38 anos que tem a vida abalada pela dor do luto pela morte recente do pai, 5 anos após a morte da mãe, e pelo começo de um relacionamento com a atriz francesa Anna (Mélanie Laurent, de Bastardos Inglórios).

Por meio de flashbacks e imagens de referenciais do passado e presente, vemos que desde pequeno Oliver tem uma relação complicada com suas emoções, dentre elas, principalmente, o amor. O relacionamento dos pais, cordial, porém distante, serviu como um referencial sentimental que não o ajudou muito ao longo da vida.

Na verdade, o casamento de seus pais era uma espécie de proteção social para o casal e fonte de ressentimento e melancolia para a mãe de Oliver, que mesmo sabendo sobre a homossexualidade do marido, o pediu em casamento com a leve esperança de que poderia mudá-lo. Interpretado por Christopher Plummer, Hal Fields fica viúvo (perde a mulher para o câncer) e resolve deixar de ser apenas “teoricamente homossexual”, adotando uma postura de joie de vivre e ativismo pelos direitos dos gays, além de manter um relacionamento com um amante mais jovem. Oliver parece meio perdido com a revelação, mas lida com ela da melhor maneira que encontra e apóia o pai.


Mas Beginners não é apenas um filme que trata sobre formas de amor. A solidão é um tema bastante presente, que permeia a vida e o cotidiano dos personagens. Temos bastante contato com a solidão de Oliver, obviamente, afinal é o personagem principal. Mas também vemos a solidão representada nas memórias dele a respeito da mãe, Georgia (Mary Page Keller) uma mulher que amava o marido e era por ele amada, mas não da maneira que ela desejava. Vemos a solidão em Hal, que passou boa parte da vida tendo que esconder quem era para a sociedade e, quando pôde, resolveu se libertar e se assumir, uma maneira de sepultar este sentimento, que de certa maneira o acompanhava em seus anos “dentro do armário”. Temos a solidão de Anna, por ela buscada como uma forma de sentir-se livre, sempre mudando de endereços e não mantendo relações duradouras, ao mesmo tempo em que tenta fugir de outro tipo de solidão, a representada pelo pai suicida. E é a solidão também o maior temor do carismático jack russell terrier Arthur, o cachorrinho de estimação de Hal que passa a ser de Oliver depois do falecimento do pai, protestando sempre que é deixado para trás e que sempre acaba conseguindo ser levado para qualquer canto que o personagem principal vá (e tem, inclusive, “conversas” com o dono legendadas na tela, representando as inquietações de Oliver).


Além de lidar com o processo de luto pela morte dos pais, Oliver encontra no amor que sente por Anna um outro desafio sentimental: aprender a se relacionar com alguém, ou seja, curar sua solidão. O modo como os dois se conhecem, numa festa à fantasia para a qual seus amigos insistem que ele vá, pode ser vista como um prelúdio desse desafio (que serve para ambos). Escondendo sua tristeza atrás de uma fantasia de Freud e brincando de ouvir os problemas das outras figuras representadas pelas pessoas fantasiadas na festa, é abordado por Anna para fazer com ela uma sessão de terapia muda, em que ela se comunica através de gestos e um caderninho de notas. Nesse primeiro contato, vários artifícios são usados para que os dois consigam se comunicar -- e ao longo do relacionamento entre os dois (agora já com palavras), eles têm de encontrar vários artifícios para comunicarem seus sentimentos e, enfim, terem o relacionamento que desejam, mas nunca conseguiram desenvolver com ninguém, ambos sendo beginners (rá) neste sentido.



Mantendo ao longo de seus 105 minutos de duração um tom sensível e ao mesmo tempo bem humorado, com personagens cativantes e uma bela edição, o mote de Beginners pode ser resumido pela célebre frase de Tom Jobim: “fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho”.



P.S.: durante o filme, Oliver cria ilustrações para um proposta de encarte de CD, contando sua versão da “História da Tristeza”. As artes são obra do diretor Mike Mills, que também é designer e juntou todas em um livro.





Pra começar a semana...

por Nath Albuquerque


música nova do Arctic Monkeys \o/


E o Alex Turner, heim gentchi?! Mais um que entrou na categoria "Santa Puberdade, Batman!" junto com o Matt Lewis (o Neville dos filmes do Harry Potter).

Olha aí o primeiro clipe deles e aprecie a evolução: